Calculadora de empréstimo: quadro de amortização, prestação e custo total

Mudar de moeda não converte nenhum valor: os números inseridos permanecem idênticos, apenas o rótulo e o arredondamento mudam.

Mudar de moeda não converte nenhum valor: os números inseridos permanecem idênticos, apenas o rótulo e o arredondamento mudam.

Um empréstimo amortizável — a forma mais comum de crédito habitação ou pessoal — é reembolsado através de prestações que combinam, todos os meses, uma parte de juros e uma parte de capital. Perceber como estas duas partes evoluem ao longo do tempo permite ler corretamente uma proposta de empréstimo, avaliar o interesse de um reembolso antecipado e comparar duas propostas bancárias para além da taxa anunciada. Esta calculadora funciona com a moeda escolhida; os exemplos numéricos abaixo usam valores abstratos (200.000, 300, etc.) que se aplicam seja qual for a unidade monetária escolhida no seletor.

A mecânica da amortização

Um empréstimo de prestações constantes (excluindo os empréstimos "in fine") assenta numa regra simples: a prestação total não muda de um mês para o outro, mas a sua composição sim. Todos os meses, o banco calcula os juros devidos sobre o saldo em dívida nessa data, à taxa mensal acordada. O resto da prestação amortiza capital. Como o saldo em dívida diminui a cada pagamento, os juros do mês seguinte também diminuem — e por isso a parte de capital amortizado aumenta na mesma medida, já que a prestação, essa, se mantém fixa.

É por isso que as primeiras prestações de um crédito a 20 ou 25 anos amortizam muito pouco capital: a maior parte da prestação vai em juros. Só com o passar dos anos é que a balança se inverte.

A fórmula da prestação

A prestação M de um empréstimo a taxa fixa e prestações constantes calcula-se assim:

M = C × t × (1 + t)^n / ((1 + t)^n − 1)

em que C é o capital emprestado, t a taxa de juro mensal (a taxa anual dividida por 12) e n o número total de prestações. Caso particular: se a taxa for de 0 %, a fórmula acima não é utilizável (divisão por zero) e a prestação é simplesmente o capital dividido pelo número de meses.

Esta calculadora aplica esta fórmula com valores exatos (sem arredondamentos de vírgula flutuante) e depois reconstrói o quadro de amortização linha a linha: todos os meses, os juros são recalculados sobre o saldo em dívida real, não estimados de forma global. A última prestação é ajustada para liquidar exatamente o capital restante, na unidade mais fina que a moeda escolhida permite (o cêntimo para a maioria das moedas, a unidade inteira para algumas, como o franco CFA ou o iene).

Exemplo numérico detalhado

Tomemos um empréstimo de 200.000 a 240 meses (20 anos) com uma taxa anual de 3,5 % (os valores abaixo exprimem-se na unidade monetária escolhida). A taxa mensal correspondente é de 3,5 % ÷ 12, ou seja, cerca de 0,2917 %.

A prestação calculada é de 1.159,92, constante ao longo de toda a duração. Eis como se decompõe a primeira prestação:

Já na última prestação (mês 240), o saldo em dívida é reduzido: os juros já só representam 3,37, e 1.156,41 da prestação amortizam o capital restante, que chega então exatamente a zero.

No conjunto do empréstimo, o total de juros pagos atinge 78.380,66. O custo total do crédito — prestações acumuladas, sem seguro nem taxas de abertura — sobe assim para 278.380,66, para 200.000 emprestados inicialmente: os juros representam aqui pouco mais de um terço do capital emprestado.

O interesse do reembolso antecipado

Acrescentar um reembolso antecipado mensal acelera o desendividamento sem mudar a prestação base: esta quantia adicional reduz diretamente o saldo em dívida, mês após mês, o que encurta a duração total do empréstimo.

Retomemos o exemplo anterior (200.000 a 3,5 % ao longo de 240 meses) e acrescentemos 300 de reembolso antecipado todos os meses. O empréstimo fica liquidado em 176 meses em vez de 240 — ou seja, 64 meses poupados, mais de cinco anos. Os juros totais descem para 55.700,61 em vez de 78.380,66, uma poupança de 22.680,05.

Este efeito é tanto mais marcado quanto mais cedo ocorre o reembolso antecipado: no início do empréstimo, o saldo em dívida — e por isso os juros que gera — está no seu máximo. Reembolsar 300 a mais no primeiro mês de um empréstimo de 240 meses "poupa" muito mais juros futuros do que reembolsar a mesma quantia no mês 200, quando já resta pouco capital para financiar.

Ler um quadro de amortização mês a mês

O quadro de amortização completo — aquele que esta calculadora produz linha a linha — inclui, para cada prestação, cinco informações: a prestação paga, a parte de juros, a parte de capital, um eventual reembolso antecipado, e o saldo em dívida após o pagamento. No exemplo dos 200.000 a 3,5 % ao longo de 240 meses, eis a evolução entre o início e a metade do empréstimo:

Esta viragem progressiva explica por que vender um imóvel ou renegociar um crédito cedo na sua vida deixa pouco capital amortizado apesar de anos de prestações: a maior parte do dinheiro pago nos primeiros anos serve para pagar juros, não para se tornar proprietário do capital.

A taxa usada neste exemplo é uma taxa fixa: não varia durante toda a duração do empréstimo, ao contrário de uma taxa variável que segue um índice de referência e pode fazer subir ou descer a prestação (ou a duração). Esta calculadora simula apenas empréstimos a taxa fixa, uma forma muito comum de crédito habitação para particulares; para uma taxa variável seria preciso recalcular um novo quadro a cada revisão da taxa, partindo do saldo em dívida nessa data como novo capital de partida.

Custo total contra prestação mensal: não errar a comparação

Duas ofertas de empréstimo podem apresentar uma prestação muito parecida e, ainda assim, ter um custo total radicalmente diferente. Um empréstimo a prazo mais longo reduz mecanicamente a prestação (o capital é repartido por mais prestações), mas gera mais juros acumulados, já que o saldo em dívida se mantém elevado por mais tempo. Ao contrário, uma duração mais curta aumenta a prestação mas reduz o custo total.

É por isso que esta calculadora mostra sempre três números distintos — a prestação, o total de juros e o custo total — e propõe um modo comparação para colocar duas ofertas lado a lado, com a diferença exata em cada um destes três indicadores em vez de uma simples percentagem de taxa.

Erros frequentes a evitar

Comparar dois empréstimos apenas pela taxa nominal. Em muitos países, uma taxa anual efetiva (ou equivalente local) que integra as taxas de abertura e, muitas vezes, o seguro, serve de indicador de comparação legal — a taxa nominal por si só não basta.

Esquecer o seguro do mutuário no cálculo do custo real. Não amortiza capital e por isso não aparece no próprio quadro de amortização, mas soma-se integralmente ao custo total do crédito — e pode representar, ao longo de 20 anos, uma quantia considerável consoante o perfil do mutuário.

Subestimar o efeito de uma duração mais longa. Alongar um empréstimo de 15 para 25 anos pode reduzir a prestação em 30 % ou mais, mas quase duplicar o montante total de juros pagos ao longo do crédito.

Ignorar o impacto do momento em que se reembolsa antecipadamente. Como mostrado acima, 300 reembolsados antecipadamente no início de um empréstimo a 20 anos poupam muito mais juros do que a mesma quantia reembolsada no final: a montante igual, quanto mais cedo, melhor.

Confundir escolha de moeda com conversão de moeda. Selecionar outra moeda nesta calculadora não converte nenhum valor: apenas muda a unidade apresentada e o arredondamento aplicado (ver a pergunta dedicada nas perguntas frequentes abaixo).

Perguntas frequentes

Como é calculada a prestação mensal de um empréstimo?
Segue a fórmula de anuidade constante: M = C × t × (1+t)^n / ((1+t)^n − 1), em que C é o capital emprestado, t a taxa de juro mensal (taxa anual ÷ 12) e n o número de prestações. Para um capital de 200.000 a 3,5 %/ano ao longo de 240 meses, isto dá uma prestação de 1.159,92 (na unidade monetária escolhida). Esta fórmula garante que a prestação é idêntica do primeiro ao último mês; apenas a repartição entre juros e capital muda.
Por que aumenta a parte de capital todos os meses?
Os juros de uma prestação calculam-se sobre o saldo em dívida, que diminui a cada pagamento. No exemplo acima, os juros baixam de 583,33 no primeiro mês para 3,37 no último, enquanto a prestação se mantém fixa em 1.159,92: mecanicamente, a parte destinada a amortizar capital cresce na mesma medida, de 576,59 para 1.156,41.
O reembolso antecipado reduz a prestação ou a duração?
Nesta calculadora, um reembolso antecipado mensal soma-se à prestação normal e reduz diretamente o saldo em dívida, o que encurta a duração do empréstimo (a prestação base não muda). No exemplo de 200.000 a 3,5 % ao longo de 240 meses, acrescentar 300 por mês liquida o empréstimo em 176 meses em vez de 240, ou seja, 64 meses (mais de 5 anos) poupados.
Quantos juros permite poupar um reembolso antecipado?
No mesmo exemplo, os juros totais baixam de 78.380,66 (sem reembolso antecipado) para 55.700,61 com mais 300 todos os meses, ou seja, uma poupança de 22.680,05. A poupança é tanto maior quanto mais cedo ocorrer o reembolso antecipado, já que é nessa altura que o saldo em dívida — e por isso os juros que gera — é mais elevado.
É possível simular uma taxa de juro de 0 % neste simulador?
Sim: quando a taxa anual é nula, a fórmula de anuidade deixa de ser usada e a calculadora reparte o capital de forma linear ao longo da duração (prestação = capital ÷ número de meses). É o caso de alguns empréstimos apoiados ou de empréstimos sem juros entre particulares.
O seguro do mutuário está incluído na prestação apresentada?
A prestação principal (capital + juros) é calculada separadamente do seguro do mutuário. O campo de seguro mensal soma-se ao custo total do crédito sem alterar o cálculo da amortização em si (o seguro não amortiza capital), refletindo a prática habitual de faturar o seguro à parte no quadro de amortização bancário.
Por que comparar o custo total em vez de apenas a prestação mensal?
Duas ofertas podem apresentar uma prestação parecida mas um custo total muito diferente, consoante a taxa, a duração e as taxas de abertura. Um empréstimo a 25 anos tem uma prestação mais baixa do que um a 15 anos, mas gera bastante mais juros acumulados. O modo comparação desta calculadora mostra os dois resultados lado a lado com a diferença exata na sua moeda em cada indicador, não apenas em percentagem.
As taxas de abertura mudam a taxa real do empréstimo?
As taxas de abertura introduzidas aqui somam-se ao custo total apresentado, mas não entram no cálculo da prestação mensal em si: é um custo pontual, não um juro. Para comparar o custo real de duas ofertas com taxas diferentes, é precisamente o custo total (prestações acumuladas + seguro + taxas) que importa olhar, não apenas a taxa nominal anunciada pelo banco.
Esta calculadora funciona com a minha moeda?
Sim: escolha a sua moeda no seletor, entre cerca de quarenta moedas comuns (incluindo moedas sem casas decimais como o franco CFA ou o iene, ou com três casas decimais como o dinar kuwaitiano). Um aviso importante: esta calculadora nunca converte um valor de uma moeda para outra. Mudar de moeda apenas altera a unidade e o arredondamento apresentados — os números introduzidos permanecem exatamente iguais. Se precisar de converter um valor entre duas moedas, use um serviço de câmbio dedicado e introduza aqui o resultado.